Procedimentos de Medição de Continuidade, Aterramento e Laudo Técnico

Artigo Técnico

Procedimentos de Medição de Continuidade, Aterramento e Laudo Técnico

Fonte: Universidade Trisul | Autor: Eng. Ms. Richard R. Springer | Postagem: Eng. Elet. Vanderlei Felisberti

Ensaios de medição são fundamentais para comprovar a eficácia de Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) estruturais, garantindo a continuidade elétrica em pilares, vigas e lajes de edificações.

Ensaio de continuidade elétrica nas armaduras
O ensaio se dá através da medição da resistência ôhmica, com instrumento adequado (a 4 fios), entre diversos pontos da estrutura.

Utilização de Ferragens e Barras Dedicadas (Re-Bar)

A ideia de utilizar a ferragem do concreto armado para condução e dispersão da corrente de raios em descidas é plenamente viável, desde que pilares, vigas e lajes estejam interconectados por meio de solda elétrica/exotérmica ou conexões mecânicas de pressão, garantindo a continuidade e a equipotencialização.

Contudo, costuma-se adotar o sistema composto por anéis horizontais no perímetro das lajes conectados a condutores verticais nos pilares através de uma barra dedicada (aço galvanizado a fogo adicional) — comercialmente conhecida como re-bar (Reinforcing Bar).

📌 Regras de Execução da Re-Bar:

A barra deve garantir a continuidade desde o solo até o topo do prédio com comprimento de sobreposição equivalente a 20 diâmetros. Essas conexões devem ser repetidas em todas as lajes, com todos os pilares do corpo do prédio.

⚠️ Atenção ao Subitem 6.2.4 da Norma

Elementos metálicos externos à estrutura podem ser afetados na instalação do SPDA. As ligações equipotenciais devem considerar condutores de dimensões mínimas:

  • Elementos Metálicos Externos: Cobre (16 mm²) | Alumínio (25 mm²)
  • Instalações Metálicas Internas ao BEL (caixas, quadros, tubulações de gás/incêndio): Cobre (6 mm²) | Alumínio (10 mm²)

Nota: Para proteção contra surtos em sistemas internos, utilize DPS coordenados conforme ABNT NBR 5419-4 e ABNT NBR 5410.

Diretrizes de Ensaio (ABNT NBR 5419-3:2015 – Anexo F)

Todos os pilares conectados ao subsistema de captação devem ser individualmente verificados com microhmímetro. Em edificações extensas (perímetro > 200 m), caso a medição em 50% dos pilares resulte em valores na mesma ordem de grandeza e nenhum seja superior a 1 Ω, o número de ensaios pode ser reduzido.

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Medições Cruzadas

Parte superior de um pilar vs. parte inferior de outro para checar interligações.

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Medição Inferior

Verificação de continuidade em baldrames e trechos de fundação.

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Trechos Intermediários

Identificação de eventuais pontos de descontinuidade na armadura.

📏 Afastamentos Mínimos dos Pontos de Medição (Subitem 5.5.3)

Os pontos nas junções entre a barra dedicada dos pilares e eletrodos de aterramento (sugeridos a 1,5 m do solo em caixa com Aterrinsert) devem manter o afastamento horizontal de:

Classe I: 5 metros Classe II: 10 metros Classe III: 15 metros Classe IV: 20 metros

Procedimentos Práticos e Equipamentos

Na verificação em campo, a malha de aterramento deve ser desconectada dos condutores de descida, testando cada pilar individualmente nas partes superior e inferior. Aplica-se injeção de corrente alternada entre 1 A e 10 A (frequência diferente de 60 Hz e múltiplos) medindo a queda de tensão simultânea.

Cálculo da Resistência

R = V / I

R (Resistência) = V (Tensão) / I (Corrente Injetada)

⚡ Limites Aceitáveis de Resistência:

  • Ensaio final das armaduras: ≤ 0,2 Ω
  • Trechos semelhantes (Anexo F): < 1,0 Ω
  • Barramento de Equipotencialização Principal (BEP): ≤ 0,2 Ω

Para compensar a resistência dos cabos em longas distâncias, o ensaio exige instrumentos de 4 fios (quatro terminais), como miliohmímetros ou micro-ohmímetros. É expressamente proibida a utilização de multímetros convencionais.

Aterramento e Elaboração do Laudo Técnico

A medição da resistência do aterramento é conduzida segundo a ABNT NBR 15749:2009 pelo método da queda de potencial (usando Terrômetro) ou alicate terrômetro. Vale ressaltar que a norma atual (NBR 5419-3:2015) não exige um valor fixo de 10 Ω como na versão antiga de 2005, e sim a busca pelo menor valor possível conforme o solo e o eletrodo.

📋 O que deve conter no Laudo Técnico?

  • Indicação da metodologia empregada nas medições de continuidade e aterramento.
  • Lista dos instrumentos utilizados acompanhados de Certificados de Calibração válidos.
  • Mapa com a locação exata dos pontos de medição e registro fotográfico completo.
  • Apontamento de eventuais não conformidades e plano de recomendações.
  • Emissão por empresa habilitada e independente da execução das obras.

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