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Medição de Resistência de Aterramento – Método Normativo

Autores: Eng. Elet. Jobson Modena e Eng. Elet. Hélio Sueta
Fonte: www.osetoreletrico.com.br

A ABNT NBR 15749 (Medição de Resistência de Aterramento e de Potenciais na Superfície do Solo em Sistemas de Aterramento) estabelece os critérios técnicos e equipamentos para ensaios em sistemas de aterramento.

Figura 1 — Tensões que podem aparecer em uma instalação
  • Ie: Corrente de ensaio (A)
  • Ve: Elevação de potencial da malha (V)
  • ET: Tensão de toque (V)
  • Ep: Tensão de passo (V)
  • H: Profundidade da malha (m)

Quando há injeção de corrente no solo (por falta elétrica ou descargas atmosféricas), surgem diferenças de potencial na superfície (tensões de passo e toque). Os ensaios de campo visam verificar a eficiência na dispersão da corrente, detectar riscos e determinar a elevação de potencial do sistema em relação ao terra de referência.

Regras Técnicas e de Segurança:
  • Utilizar EPIs (calçados e luvas isolantes) compatíveis com os níveis de tensão esperados.
  • Evitar medições sob condições atmosféricas adversas (risco de raios).
  • Isolar a área impedindo a aproximação de terceiros e animais.
  • Utilizar aparelhos em conformidade com o Anexo C da ABNT NBR 15749.

Método da Queda de Potencial

Recomendado para medições com terrômetro, consiste em injetar corrente entre a malha e um eletrodo auxiliar de corrente (H), medindo a tensão via eletrodo de potencial (S), deslocado a intervalos regulares.

Figura 2 — Método da queda de potencial
  • I: Corrente de ensaio
  • S: Borne da sonda de potencial
  • H: Borne do eletrodo de corrente
  • E: Borne da malha sob medição
Figura 3 — Curva característica teórica

A curva apresenta zonas de influência mútua e o “patamar de potencial”, onde se localiza o valor real da resistência de aterramento (RV).

Figura 4 — Curvas típicas em função da posição dos eletrodos
  • X: Influência do aterramento (E) | Y: Patamar de potencial | Z: Influência do eletrodo (H)
  • a, b, c: Curvas de resistência segundo a posição dos eletrodos auxiliares.

Nas curvas a e c, obtém-se o patamar correto da resistência. Na curva b, a distância de H é insuficiente, gerando sobreposição das áreas de influência e inviabilizando a leitura. A distância recomendada de H deve ser no mínimo três vezes a maior dimensão da malha.

Solos Não Homogêneos e Cuidados Práticos

Em solos não homogêneos, a posição ideal de S exige análises específicas baseadas na profundidade e no coeficiente de reflexão K:

Figura 5 — Determinação de S para solo de duas camadas

Para evitar erros, garanta que não existam elementos metálicos enterrados (tubulações, armações) entre a malha e os eletrodos de ensaio. Para sistemas de grande porte ou ruídos no solo, recomenda-se usar instrumentos de frequência variável com filtros dedicados.

Sobre os Autores

JOBSON MODENA: Eng. Eletricista, membro do Cobei (CB-3/ABNT) e coordenador da comissão revisora da NBR 5419. Diretor da Guismo Engenharia.

HÉLIO SUETA: Eng. Eletricista, Dr. em Engenharia Elétrica, diretor do IEE-USP e secretário da comissão revisora da ABNT NBR 5419.

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