Identifique-se  
Categoria:
  


Soluções e Serviços


Critérios de Segurança para o Cabeamento Interno

Em função da quantidade crescente de cabos internos utilizados em edifícios, aumenta-se também a preocupação de fabricantes, instaladores e usuários quanto à segurança oferecida por estes produtos no caso de incêndio nestas instalações.

A segurança oferecida pelos cabos é um ponto chave para a escolha de produtos, garantindo a integridade das pessoas e proteção de equipamentos.

Questões como estas alteram a visão de custos/benefícios consideradas até então.
As vantagens referentes à segurança das pessoas, proteção aos equipamentos e investimentos são fatores importantes observados em novos edifícios, centrais telefônicas e instalações elétricas em geral.

Os cabos fabricados com características de Retardância à Chama têm como objetivo principal evitar a propagação do fogo em caso de incêndio. Devido a isto, evita-se o uso de cabos geleados ou encapados com materiais que propaguem o fogo para uso interno, substituindo-os por outros com melhor desempenho quanto ao comportamento frente à chama.

Com o intuito de padronizar o uso de cabos internos, a ABNT está publicando uma Norma (Classificação de cabos internos para telecomunicações quanto ao comportamento frente à chama) que aborda este assunto.

Nesta norma, definem-se as seguintes classificações de cabos, para instalações internas:

CMX- Cabo Metálico / Uso Limitado
COG / CM- Cabo Óptico / Metálico Uso Geral
COR / CMR- Cabo Óptico / Metálico Riser
COP / CMP- Cabo Óptico / Metálico Plenum
LSZH- Low Smoke Zero Halogen

Esta classificação é adotada e difundida mundialmente, com base em normas internacionais. Estes produtos são classificados pelo seu comportamento frente à chama, conforme fluxograma a seguir, sendo os cabos CMX os menos retardantes e os cabos Plenum os de melhor característica de retardância.

CABOS TIPO CMX

Os cabos metálicos classificados como CMX são para aplicações em tubulações metálicas onde não há concentração de cabos e nem fluxo de ar forçado. A UL (Underwriters Laboratories), entidade americana independente de testes e certificações, descreve este tipo de cabo, na norma UL444, como Communications Cable for Limited Use.

A avaliação, quanto à propagação vertical da chama é realizada conforme a NBR6244, ou UL1581 – VW1. Os testes previstos, nestas normas, são realizados sobre um único comprimento do cabo e utilizam queimadores como apresentado na Figura 1.


Figura 1 - Ensaio UL 1581 - VW (Bico de Bunsen)

Para este ensaio, descrito na NBR6244, aplica-se a chama (Bico de Bunsen) em uma das extremidades da amostra (600 ± 25mm) durante um período contínuo de tempo, que varia em função do peso da amostra. Após este período, a chama no cabo deve auto extinguir se, e a parte carbonizada não deve atingir um comprimento superior a 375 mm a partir da aplicação.

CABOS TIPO COG / CM

Cabos metálicos (CM) ou ópticos (COG) são de uso geral, e para aplicações verticais em tubulações com muita ocupação, em locais sem fluxo de ar forçado.

Devido às suas características, os cabos classificados como CM são adequados a maioria das aplicações, como: instalações internas em centrais telefônicas, cabeamento horizontal, prédios comerciais, etc.

Para serem classificados como COG ou CM os cabos são testados conforme a NBR6812, ou UL 1581 - Vertical Flame Test. Estas normas verificam a característica de retardância em feixes de cabos dispostos em bandejas, utilizando-se de cabines de queima.


Figura 2 - Cabine de Queima UL 1581/CM.

No ensaio em cabine de queima, conforme UL 1581 – Vertical Flame Tray, várias amostras de cabo, com 2,44 metros de comprimento, são dispostas em uma bandeja.

No ensaio de queima conforme UL 1666, comprimentos de cabos com 5,33 metros são dispostos verticalmente dentro da cabine, simulando a passagem de cabos entre um piso e outro.

Os cabos são suspensos e presos nas extremidades do piso superior e abaixo do piso inferior.
 A quantidade de cabos é inversamente proporcional ao diâmetro do cabo. Aplica-se durante 30 minutos uma chama, proveniente de queimador alimentado com propano comercial e ar, produzindo um calor de 527.500 BTU/h.

O cabo será aprovado se a altura de propagação da chama não for maior ou igual a 3,66 metros, e se a temperatura do termopar localizado neste ponto não exceder a 454,4ºC.

CABOS TIPO COP / CMP

Cabos próprios para aplicações horizontais, em locais confinados com ou sem fluxo de ar forçado. Os cabos classificados como PLENUM atendem à UL910, na qual verifica-se a propagação horizontal da chama e a densidade de fumaça.


Figura 3 - Teste Steiner Tunnel (UL 910)

No ensaio de queima conforme UL 910, amostras de cabos com 7,32 metros de comprimento são dispostas horizontalmente em bandeja ao longo da câmara de 8,9 metros (ficando os cabos presos e unidos pelas extremidades), a qual simula um duto com corrente de ar forçada.

A quantidade de cabos é tal que dispostos lado a lado ocupem a largura total da bandeja (286 mm). É aplicada por 10 minutos uma chama, proveniente de queimador alimentado com gás metano e ar, produzindo um calor de 300.000 BTU/h.

O cabo é aprovado se a distância máxima de propagação não exceder 1,52 metros, além dos 1,37 metros da chama do queimador, e se o pico de densidade óptica e a densidade óptica média da fumaça produzida na queima não exceder a 0,50 e 0,15 respectivamente

CABOS TIPO COR / CMR

Cabos metálicos (CMR) ou ópticos (COR), do tipo RISER, são para aplicação vertical em poço de elevação (Shaft), em instalações nas quais os cabos ultrapassem mais de um andar e em locais sem fluxo de ar forçado.

Os testes para verificação desta classificação são baseados na norma UL1666. A figura 4 mostra a cabine de queima utilizada nos Laboratórios da UL para realização deste ensaio, sendo que não há infra-estrutura similar no Brasil.



Figura 4 - Cabine de Queima UL 1666 / CMR

CABOS TIPO LSZH

Buscando aumentar a segurança das pessoas durante um incêndio desenvolveram-se materiais LSZH (Low Smoke Zero Halogen), que durante o processo de queima apresentam baixa emissão de fumaça e não geram gases tóxicos.

Assim, minimizam-se os principais fatores de risco às pessoas, pois a fumaça causa pânico e dificulta a localização das saídas de emergência; e os gases tóxicos gerados levam à asfixia aqueles que não conseguem sair rapidamente do local.

Os cabos LSZH devem atender às características de retardância à chama dos cabos CM, bem como aos requisitos de densidade de fumaça e toxidez dos gases gerados na sua combustão. (similar a uma escada).

A quantidade de amostras é inversamente proporcional ao diâmetro do cabo. Então, aplica-se por 20 minutos uma chama, gerada por um queimador alimentado com propano analítico e ar com vazões controladas, produzindo um calor de 70.000 BTU/h.

O cabo será aprovado se não apresentar danos, ou porção carbonizada, que alcancem a extremidade superior da bandeja.

Voltar
Todos os direitos reservados a Força e Luz Engenharia®